Ho, ho, ho! É natal!
Ignoremos, porém, toda reflexão histórica, religiosa, institucional desta data, quero hoje refletir sobre a dimensão emocional que ela representa.
Sinceramente, não me importa a origem da celebração. Seja de origem pagã, a celebração do nascimento de Cristo, ou apenas uma afirmação de interesses capitalistas, o "espírito de natal" existe, acreditem, às vezes mais forte, às vezes mais fraco, se olharem ao redor poderão ver o clima de natal enchendo o coração das pessoas.
Já fazem alguns anos que os motivos religiosos da celebração não me dizem quase nada, sua cooptação pelo captalismo foi inevitável e não considero que as origens históricas discrepantes com o sentido religioso interfiram com o seu novo significado que já foi absolutamente consolidado. Mas é o espírito de união, de fraternidade, tão distante durante os outros dias do ano, o que ainda me atrai e faz celebrar este dia.
Fraternidade, caridade, solidariedade, apesar do que alguns alegam tais coisas existem durante todo o ano. Pode parecer incrível, mas as pessoas ainda se ajudam, algumas mais do que as outras, algumas realmente não o fazem, mas existem, escondidas nas sombras tentando ajudar sempre que podem ou lembram. Mas em momento algum no ano isso ocorre de forma tão generalizada, por tantas pessoas e por tantos motivos diferentes.
Sim, nem sempre a caridade e solidariedade do natal vem de corações puros que desejam ajudar, mas isso realmente importa? É realmente tão importante que todas as pessoas sejam boas e sem ambições por trás de seus atos? Acho que, ao menos como as coisas vão atualmente, qualquer boa ação (de coração ou não) é válida, afinal, mesmo que os motivos do agente não sejam lá tão belos, quem recebe essa sua "boa ação" está melhor do que sem nada. E eu acredito que mesmo essas pessoas têm uma pequena luz brilhando em seu peito nesse período.
Eu gosto da ceia de natal, de receber e dar presentes, desejar "Feliz Natal" com apertos de mãos e abraços, e eu mesmo sou falso com algumas pessoas ao fazer isso. É um momento onde podemos sentir mais aquecidos, próximos, completos no meio da multidão, seria ótimo se pudessemos nos sentir assim mais vezes, mas já que não é assim tão fácil, acredito que o natal seja uma boa alternativa.
Então, esqueçam por um momento suas diferenças, crenças, preconceitos. Não acredito mais no natal como uma festa puramente cristã, e tantas pessoas já comemoram tantas coisas que não acreditam por motivos tão piores (Quantos de vocês, católicos, respeitam a quaresma antes do carnaval? Quantos de vocês, ateus, festejam o carnaval?) que não vejo por que é tão mal participar dessa festa, cada um acreditando no que quiser, dando presentes para quem amamos ou distribuindo sorrisos falsos, diplomáticos; mas todos unidos trazendo um pouco mais de alegria para a vida dos outros, mesmo que apenas por poucos dias.
Feliz Natal a todos...
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
domingo, 14 de dezembro de 2008
Da Amizade
Existem momentos em que choramos, sentimo-nos sozinhos, tristes, incompletos...
Vítimas de toda sorte de infortúnios emocionais que, espreitando, esperam aqueles dias vulneráveis, quando durante momentos de ócio não nos resta nada além de olhar para nós mesmos e lamentar as tristezas da vida. E então eles atacam, corroem nossas mentes e corações alimentados pelo sofrimento, e sentimos todo vazio em nossa volta aumentar, e as tristezas viram lágrimas, e percebemo-nos sozinhos, completamente sozinhos.
Existem momentos em que toda a tristeza escolhe encher nosso peito e as dores parecem ser tão insuportáveis que escolhemos parar de resistir, abandonar sonhos e esperanças e entregar-nos a inércia. Deixar a vida seguir seu caminho doloroso sozinha parece tão mais fácil do que lutar contra as infinitas adversidades que nos atacam a todo tempo.
Eu não acredito nisso, ao menos não hoje.
Ora, em todo caminho existem pedras, dores, lágrimas; assim como existem sorrisos e momentos felizes. As dores nos fortalecem, mas quando a dor é forte demais, quando nos sentimos sozinhos, existem sempre aqueles que estarão prontos a enxugar nossas lágrimas, oferecer seu ombro, ou apenas abraçar a nossa dor e chorar ao nosso lado.
Qualquer um compartilha um sorriso de diversão, alguns copos de vinho e outros passos de dança. Qualquer um faz um convite para beber, sair e esquecer os problemas, mas quantos fazem isso pensando em você?Quantas vezes você já fez isso pensando no outro?
Mas não creio que seja compartilhando alegrias, ou tristezas, salvando o outro do vazio, indo às mesmas festas ou carregando companheiros bêbados, que podemos definir a amizade. O vazio nos persegue, a solidão, a tristeza, todos permanecem seguindo nossos passos, e se o Amor preenche magicamente nossos corações como um fogo infinito que remove todo o vazio emocional que esse mundo individualista introjeta em nosso ser, são os amigos que preenchem o vazio de quando o amor acaba.
Não é natural querer ter muitos amigos? Ave Orkut! E se buscamos loucamente (e artificialmente) aquele amor sagrado dos românticos, é ainda mais estúpida a busca por novas amizades. Temos apenas medo de estar sozinhos.
Ah! A amizade não pode ser feita artificialmente, rapidamente através de um add no orkut o au dividindo algumas contas de bar. Não acredito que os grandes amigos sejam bons amigos por estarem ao nosso lado nesses momentos, mas que eles são tão presentes (quer estando perto ou distantes) que o simples fato de estarem lá torna-se irrelevante, porque, queira ou não, eles sempre estão lá.
Não acredito que os verdadeiros amigos são aqueles que saem juntos para se divertir, que se ajudam em momentos difíceis, que procuram estar sempre perto; a verdadeira amizade simplesmente aparece, quando esses momentos juntos deixam de ser tão importantes isolados e tornam-se parte de uma história, quando a simples presença (mesmo a virtual) já é suficiente para acalmar nossos corações doloridos nos momentos difíceis, quando sentimos, lá no fundo em nosso peito, de forma simples, espontânea, inconfundível, que juntos estamos em casa... Que aqueles são nossos amigos...
Para meus grandes amigos
Vítimas de toda sorte de infortúnios emocionais que, espreitando, esperam aqueles dias vulneráveis, quando durante momentos de ócio não nos resta nada além de olhar para nós mesmos e lamentar as tristezas da vida. E então eles atacam, corroem nossas mentes e corações alimentados pelo sofrimento, e sentimos todo vazio em nossa volta aumentar, e as tristezas viram lágrimas, e percebemo-nos sozinhos, completamente sozinhos.
Existem momentos em que toda a tristeza escolhe encher nosso peito e as dores parecem ser tão insuportáveis que escolhemos parar de resistir, abandonar sonhos e esperanças e entregar-nos a inércia. Deixar a vida seguir seu caminho doloroso sozinha parece tão mais fácil do que lutar contra as infinitas adversidades que nos atacam a todo tempo.
Eu não acredito nisso, ao menos não hoje.
Ora, em todo caminho existem pedras, dores, lágrimas; assim como existem sorrisos e momentos felizes. As dores nos fortalecem, mas quando a dor é forte demais, quando nos sentimos sozinhos, existem sempre aqueles que estarão prontos a enxugar nossas lágrimas, oferecer seu ombro, ou apenas abraçar a nossa dor e chorar ao nosso lado.
Qualquer um compartilha um sorriso de diversão, alguns copos de vinho e outros passos de dança. Qualquer um faz um convite para beber, sair e esquecer os problemas, mas quantos fazem isso pensando em você?Quantas vezes você já fez isso pensando no outro?
Mas não creio que seja compartilhando alegrias, ou tristezas, salvando o outro do vazio, indo às mesmas festas ou carregando companheiros bêbados, que podemos definir a amizade. O vazio nos persegue, a solidão, a tristeza, todos permanecem seguindo nossos passos, e se o Amor preenche magicamente nossos corações como um fogo infinito que remove todo o vazio emocional que esse mundo individualista introjeta em nosso ser, são os amigos que preenchem o vazio de quando o amor acaba.
Não é natural querer ter muitos amigos? Ave Orkut! E se buscamos loucamente (e artificialmente) aquele amor sagrado dos românticos, é ainda mais estúpida a busca por novas amizades. Temos apenas medo de estar sozinhos.
Ah! A amizade não pode ser feita artificialmente, rapidamente através de um add no orkut o au dividindo algumas contas de bar. Não acredito que os grandes amigos sejam bons amigos por estarem ao nosso lado nesses momentos, mas que eles são tão presentes (quer estando perto ou distantes) que o simples fato de estarem lá torna-se irrelevante, porque, queira ou não, eles sempre estão lá.
Não acredito que os verdadeiros amigos são aqueles que saem juntos para se divertir, que se ajudam em momentos difíceis, que procuram estar sempre perto; a verdadeira amizade simplesmente aparece, quando esses momentos juntos deixam de ser tão importantes isolados e tornam-se parte de uma história, quando a simples presença (mesmo a virtual) já é suficiente para acalmar nossos corações doloridos nos momentos difíceis, quando sentimos, lá no fundo em nosso peito, de forma simples, espontânea, inconfundível, que juntos estamos em casa... Que aqueles são nossos amigos...
Para meus grandes amigos
sábado, 13 de dezembro de 2008
Do Aniversário
Eis o dia do meu aniversário, e já ao seu fim pergunto o que foi diferente?
Um dia como os outros, apenas.
Por mais que desejemos que esse dia seja especial, inesquecível, ou o que seja, nada muda realmente, o mundo não irá parar apenas para nos desejar feliz aniversário, e mesmo entre aquelas pessoas que realmente se dão o trabalho de parar sua rotina por alguns segundos encontramos muitos com votos vazios, diplomáticos.
Mas é verdade que este dia gera uma profunda carência e ansiedade, apesar de não sermos muito em termos universais ainda esperamos aquelas palavras, espontâneas ou ensaiadas, sinceras ou da boca pra fora, de pessoas que se deram ao trabalho de mostrar que lembraram (ou foram lembradas) dessa data. E a cada "Feliz Aniversário" aquela solidão que sentimos em meio a multidão vai se amenizando, e a cada palavra sincera as sombras de tristeza que cobrem nossos corações se afastam um pouco, e por um dia nos sentimos especiais.
Obrigado aos meus amigos e a todas as sombras que lembraram desta data
Um dia como os outros, apenas.
Por mais que desejemos que esse dia seja especial, inesquecível, ou o que seja, nada muda realmente, o mundo não irá parar apenas para nos desejar feliz aniversário, e mesmo entre aquelas pessoas que realmente se dão o trabalho de parar sua rotina por alguns segundos encontramos muitos com votos vazios, diplomáticos.
Mas é verdade que este dia gera uma profunda carência e ansiedade, apesar de não sermos muito em termos universais ainda esperamos aquelas palavras, espontâneas ou ensaiadas, sinceras ou da boca pra fora, de pessoas que se deram ao trabalho de mostrar que lembraram (ou foram lembradas) dessa data. E a cada "Feliz Aniversário" aquela solidão que sentimos em meio a multidão vai se amenizando, e a cada palavra sincera as sombras de tristeza que cobrem nossos corações se afastam um pouco, e por um dia nos sentimos especiais.
Obrigado aos meus amigos e a todas as sombras que lembraram desta data
domingo, 7 de dezembro de 2008
Dos Verdadeiros Amores
Queria falar sobre a estupidez humana, a barbaridade dos homens nos momentos de caos, o egoísmo estúpido que corrompe alguns nos momentos de dificuldade... Mas o que posso fazer? Não tenho tanto controle sobre meus pensamentos, e já há muito tempo sou obcecado com um certo tema que tende a perseguir-me recorrentemente: o amor!
Perdoem-me, mas há tanto a ser dito sobre este tema, e tão poucos são aqueles dispostos a discuti-lo, que dar-me-ei o direito de usar deste espaço como depósito dos pensamentos que me assolam. Mas considerando a imensidão do assunto em questão, tratarei apenas de amores não vivídos.
O que torna tão difícil viver um grande amor? Eis um mistério, fruto, talvez, das grandes contradições do mundo.
Acredito em algumas predições astrológicas, em alguns sonhos ingênuos de corações inocentes, em muitas das palavras tolas ditas por poetas. Almas gêmeas, compatibilidade amorosa, amores perfeitos, à primeira vista, tudo perfeitamente válido no coração de um pobre tolo. Mas ainda assim, acreditando em toda essa baboseira, o que torna tão difícil "viver um conto de fadas"?
Pergunto-me por que não é tudo mais fácil, por que a busca pela pessoa certa é tão árdua para alguns? Talvez por que toda essa cosmologia que nos faz acreditar que existe, em algum lugar, uma pessoa certa com quem viveremos felizes para sempre, desconsidera os diversos empecilhos que podem entrar no caminho dos pobres amantes. Tantos, que muitos são aqueles que desistem desta dura busca ao verdadeiro amor.
Mas, de todos, aquele que mais me incomoda é, certamente, a burrice humana. Quão incrível é nossa capacidade de complicar as coisas mais simples! Podemos viver ao lado de pessoas que amamos, mudos, estáticos, para então procurarmos em braços distantes aquilo que sempre sonhamos.
Um grande circo, sabemos (ou acreditamos) que existe uma pessoa certa, em algum lugar, mas nunca teremos certeza de quem é, ou talvez só tenhamos essa certeza após toda uma vida ao lado dessa pessoa.
No fim, acabo acreditando apenas na sorte e no destino...
Linhas sem sentido, impensadas, sem inspiração. Peço desculpas se a qualidade da minha reflexão estiver demasiadamente abaixo daquela esperada, mas o tédio anda dominando minha mente e a Inspiração está um pouco preguiçosa esses dias...
O que torna tão difícil viver um grande amor? Eis um mistério, fruto, talvez, das grandes contradições do mundo.
Acredito em algumas predições astrológicas, em alguns sonhos ingênuos de corações inocentes, em muitas das palavras tolas ditas por poetas. Almas gêmeas, compatibilidade amorosa, amores perfeitos, à primeira vista, tudo perfeitamente válido no coração de um pobre tolo. Mas ainda assim, acreditando em toda essa baboseira, o que torna tão difícil "viver um conto de fadas"?
Pergunto-me por que não é tudo mais fácil, por que a busca pela pessoa certa é tão árdua para alguns? Talvez por que toda essa cosmologia que nos faz acreditar que existe, em algum lugar, uma pessoa certa com quem viveremos felizes para sempre, desconsidera os diversos empecilhos que podem entrar no caminho dos pobres amantes. Tantos, que muitos são aqueles que desistem desta dura busca ao verdadeiro amor.
Mas, de todos, aquele que mais me incomoda é, certamente, a burrice humana. Quão incrível é nossa capacidade de complicar as coisas mais simples! Podemos viver ao lado de pessoas que amamos, mudos, estáticos, para então procurarmos em braços distantes aquilo que sempre sonhamos.
Um grande circo, sabemos (ou acreditamos) que existe uma pessoa certa, em algum lugar, mas nunca teremos certeza de quem é, ou talvez só tenhamos essa certeza após toda uma vida ao lado dessa pessoa.
No fim, acabo acreditando apenas na sorte e no destino...
Linhas sem sentido, impensadas, sem inspiração. Peço desculpas se a qualidade da minha reflexão estiver demasiadamente abaixo daquela esperada, mas o tédio anda dominando minha mente e a Inspiração está um pouco preguiçosa esses dias...
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Do Amor e Traição
Ah, mas quão belo é o amor! O sentimento puro que une duas almas numa doce melodia, preenchendo nossas vidas com tamanha satisfação que nos faz esquecer o vazio desta diminuta realidade.
Talvez o alvo maior da poesia, a busca eterna pelo amor perfeito, ideal, irreal... Qual poeta nunca cantou ao amor? Ao amor desejado, ao realizado, ao amor perdido... Poetas são escravos do Amor, esta é a verdade. E uma vez mais nos recai a tarefa de cantá-lo em sua forma mais pura, mais bela, não importando se nos traz prazer ou dor, afinal, "o poeta é um fingidor", e sempre termina por cantar, mesmo a dor da traição, pela perspectiva do apaixonado (com direito a lágrimas, soluços e esperanças), nunca pela do traído.
Quisera eu que essa fosse a verdade do mundo, que o amor pudesse ser puro, belo. Que os amantes se amassem com aquele amor ingênuo que preenche poesias bucólicas e romances baratos, e que se não fosse possível ser imortal, que ao menos fosse infinito enquanto durasse.
Mas não são os poetas que amam, são os homens, e cabe ao homem corromper as utopias bucólicas que ele mesmo cria. E corrompido foi, também, o amor. Desejo, possessividade, inveja, solidão, quantas vezes não são esses sentimentos que mascaram-se de Amor em nossos corações. Tornamo-nos todos obcecados pelo amor, queremos a pessoa amada para nós, fazemos tudo para ela não nos deixar, não queremos perder aquilo que amamos, não queremos nos sentir sozinhos novamente. Eis que o amor vira mentira...
Sei quão difícil é deixar partir uma pessoa amada, mas dói ver como tornou-se aceitável a mentira, e, em sua forma mais sórdida, a traição, entre os amantes. Pessoas traem pois sabem que são traídas, fingem que amam para não se sentir sozinhas, são cegas de ciúme mesmo sendo adúlteras. Queremos esconder do sentimento de solidão desse mundo nos braços de qualquer um, e estamos tão acostumados com a traição que a tememos desesperadamente.
Mas nossos corações continuam vazios... Não vale mais a pena deixar ir os amores que já não vivem do que alimentar um amor falso? Por que não deixamos de invejar aqueles que realmente encontraram o amor e tentamos encontrá-lo nós mesmos?
(.por que não tentamos trazer um pouco mais de poesia para a realidade?.)
Talvez o alvo maior da poesia, a busca eterna pelo amor perfeito, ideal, irreal... Qual poeta nunca cantou ao amor? Ao amor desejado, ao realizado, ao amor perdido... Poetas são escravos do Amor, esta é a verdade. E uma vez mais nos recai a tarefa de cantá-lo em sua forma mais pura, mais bela, não importando se nos traz prazer ou dor, afinal, "o poeta é um fingidor", e sempre termina por cantar, mesmo a dor da traição, pela perspectiva do apaixonado (com direito a lágrimas, soluços e esperanças), nunca pela do traído.
Quisera eu que essa fosse a verdade do mundo, que o amor pudesse ser puro, belo. Que os amantes se amassem com aquele amor ingênuo que preenche poesias bucólicas e romances baratos, e que se não fosse possível ser imortal, que ao menos fosse infinito enquanto durasse.
Mas não são os poetas que amam, são os homens, e cabe ao homem corromper as utopias bucólicas que ele mesmo cria. E corrompido foi, também, o amor. Desejo, possessividade, inveja, solidão, quantas vezes não são esses sentimentos que mascaram-se de Amor em nossos corações. Tornamo-nos todos obcecados pelo amor, queremos a pessoa amada para nós, fazemos tudo para ela não nos deixar, não queremos perder aquilo que amamos, não queremos nos sentir sozinhos novamente. Eis que o amor vira mentira...
Sei quão difícil é deixar partir uma pessoa amada, mas dói ver como tornou-se aceitável a mentira, e, em sua forma mais sórdida, a traição, entre os amantes. Pessoas traem pois sabem que são traídas, fingem que amam para não se sentir sozinhas, são cegas de ciúme mesmo sendo adúlteras. Queremos esconder do sentimento de solidão desse mundo nos braços de qualquer um, e estamos tão acostumados com a traição que a tememos desesperadamente.
Mas nossos corações continuam vazios... Não vale mais a pena deixar ir os amores que já não vivem do que alimentar um amor falso? Por que não deixamos de invejar aqueles que realmente encontraram o amor e tentamos encontrá-lo nós mesmos?
(.por que não tentamos trazer um pouco mais de poesia para a realidade?.)
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Da Dor e Alegria
Ah, como é inevitavel a reprodução do sofrimento. Tão repudiada, e ao mesmo tempo tão característica da natureza humana, e ainda mais forte nessa magnífica realidade moderna, é a dor o impulso central da humanidade. O que faríamos sem o medo de um dia pior? Sem a triste esperança de que amanhã as coisas não apenas permanecerão ruins, como ainda estarão piores caso não lute incessantementecontra meus irmãos?
Não, não há tempo para grandes amores, para devaneios e esperanças. O tempo voa, e essas lembranças romanticas não têm mais lugar no dia-a-dia. Afinal, o que nos espera ao fim de um sonho senão a crua realidade de mais dor e sofrimento? Apaguemos, pois, os sentimentos inúteis de nossas mentes e condicionemos nossos corações o mais cedo possível para que não se intrometam no nosso sagrado pensamento racional.
Cultivamos aqui o futuro da humanidade, a capitalização completa do ser. Da capitalização da força de trabalho à prostituição dos sentimentos, somos mercadoria no meio que nós mesmos criamos para suprir nossas necessidades, em busca do conforto estamos vendendo nossa própria humanidade.
Então me pergunto se não teria sido melhor lutar um pouco mais pela utopia socialista, se aquele mundo tão mágico onde todos estariam cientes do seu dever social não seria melhor do que a competição desenfreada em que vivemos. Mas é uma grande colmeia a imagem que me sobe à cabeça, o limite do controle dos indivíduos pela racionalidade coletiva. De qualquer forma, nossos sentimentos continuariam presos.
Concordo plenamente com a conclusão obtida pela Sombra, certamente a alegria é a maior expressão da dor, somente a arte consegue opor-se a essa regra. Mas ainda assim essa alegria (aquela dos sonhos tolos, amores inocentes, esperanças sem sentido) merece ser vivida, mesmo sabendo que em algum momento irão embora. Tais sensações nos fazem humanos, mesmo sendo a origem de muitas dores, e suas lembranças constroem nossa identidade. Deixemos aos poetas, músicos, pintores, artistas em geral, a tarefa de trazer a imagem da alegria pura para nossas mentes e alimentar nossos sonhos e esperanças para que tenhamos um pouco mais de alegria, às custas de um pouco mais de sofrimento, e voltemos a viver com os corações. O individualismo vazio é um destino triste demais para ser perseguido, e por muito que doa a morte de um sonho, ainda vale a pena a fato de o ter sonhado...
Não, não há tempo para grandes amores, para devaneios e esperanças. O tempo voa, e essas lembranças romanticas não têm mais lugar no dia-a-dia. Afinal, o que nos espera ao fim de um sonho senão a crua realidade de mais dor e sofrimento? Apaguemos, pois, os sentimentos inúteis de nossas mentes e condicionemos nossos corações o mais cedo possível para que não se intrometam no nosso sagrado pensamento racional.
Cultivamos aqui o futuro da humanidade, a capitalização completa do ser. Da capitalização da força de trabalho à prostituição dos sentimentos, somos mercadoria no meio que nós mesmos criamos para suprir nossas necessidades, em busca do conforto estamos vendendo nossa própria humanidade.
Então me pergunto se não teria sido melhor lutar um pouco mais pela utopia socialista, se aquele mundo tão mágico onde todos estariam cientes do seu dever social não seria melhor do que a competição desenfreada em que vivemos. Mas é uma grande colmeia a imagem que me sobe à cabeça, o limite do controle dos indivíduos pela racionalidade coletiva. De qualquer forma, nossos sentimentos continuariam presos.
Concordo plenamente com a conclusão obtida pela Sombra, certamente a alegria é a maior expressão da dor, somente a arte consegue opor-se a essa regra. Mas ainda assim essa alegria (aquela dos sonhos tolos, amores inocentes, esperanças sem sentido) merece ser vivida, mesmo sabendo que em algum momento irão embora. Tais sensações nos fazem humanos, mesmo sendo a origem de muitas dores, e suas lembranças constroem nossa identidade. Deixemos aos poetas, músicos, pintores, artistas em geral, a tarefa de trazer a imagem da alegria pura para nossas mentes e alimentar nossos sonhos e esperanças para que tenhamos um pouco mais de alegria, às custas de um pouco mais de sofrimento, e voltemos a viver com os corações. O individualismo vazio é um destino triste demais para ser perseguido, e por muito que doa a morte de um sonho, ainda vale a pena a fato de o ter sonhado...
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Do Início...
Acabo de despedir-me de um sonho, mas não restam lágrimas para chorar a perda, e as dores já não incomodam como faziam no passado. São meus olhos que já encontram-se ressecados? As cicatrizes no meu peito tornaram-me insensível?
Este é o início de histórias sem sentido, devaneios perdidos no horizonte de lágrimas que já não correm. Trarei os fragmentos que ainda não me foram corrompidos pelo ceticismo da ciência, o que resta daquela tão saudável loucura do jovem poeta, inocente, ingênuo, que acreditava na força do amor perfeito e no coração dos homens. Trarei os sonhos que ainda me restam (tão poucos, tão fracos), mas não prometo trazer Esperança (estamos brigados ultimamente).
De qualquer maneira, contarei histórias, mentiras com algum fundo de verdade. Se a Inspiração ajudar-me-á não sei, se Paciência acompanhar-me-á não sei, mas posso tentar, fingir ser poeta uma vez mais (ao menos até perder por completo o que resta de minha imaginação).
Este é o início de histórias sem sentido, devaneios perdidos no horizonte de lágrimas que já não correm. Trarei os fragmentos que ainda não me foram corrompidos pelo ceticismo da ciência, o que resta daquela tão saudável loucura do jovem poeta, inocente, ingênuo, que acreditava na força do amor perfeito e no coração dos homens. Trarei os sonhos que ainda me restam (tão poucos, tão fracos), mas não prometo trazer Esperança (estamos brigados ultimamente).
De qualquer maneira, contarei histórias, mentiras com algum fundo de verdade. Se a Inspiração ajudar-me-á não sei, se Paciência acompanhar-me-á não sei, mas posso tentar, fingir ser poeta uma vez mais (ao menos até perder por completo o que resta de minha imaginação).
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