Muito aconteceu no ano que passou (e talvez deva dizer que ele passou longe de ser um ano "bom"), mas como o fluxo de um rio, o tempo segue seu curso independente do quanto ficamos agachados no canto chorando velhas mágoas e, acredito eu, que lágrimas demais já foram derramadas por um ano que já morreu.
Infelizmente já cresci o bastante para entender que o simples fato de levantar-me depois de uma grande adversidade e perceber ao virar a última folha do calendário que já é hora de comprar um novo não são sinais de mudança (ah, mas como são tolas as promessas de fim de ano e os desejos ao fim de um relacionamento). Somos todos um personagem, toda aquela conversa que todos escutamos em nossas infância de como somos únicos e especiais não nos prepara para o modo como nossas personalidades serão construídas, entalhadas em nossas almas aos poucos até ficarem tão profundas que nos tornamos incapazes de alterá-las significativamente. Mas ainda assim nos enganamos dizendo que vamos mudar magicamente ao virar do dia.
Mas (e quão tolo pode ser um homem) ainda acredito na mudança, se não radical na hora que queremos ou talvez precisemos, mais sutil e demorada do espírito. Uma escultura não é feita de um dia para o outro e se apressada pode ter um resultado final diferente do esperado e desejado. Mas também nunca será concluída se for esquecida num canto.
Mas que seja. Chega dessa balbucia sem sentido! Relendo o que foi escrito vejo que não concordo com metade das idéias que escrevi...Vim para anunciar o retorno do pseudo-poeta, com seus quase-versos sem esperança e seus desabafos sem sentido. Inspiração ainda está brigada comigo e acho que ficou visível no texto acima, mas talvez seja a pirraça de uma mulher que não recebeu a atenção que merecia durante o último ano (às vezes damos atenção demais a coisas abandonadas pela Esperança e esquecemos daquelas que realmente valem a pena).
E peço que me desculpem pela falta de estética das palavras acima, meus dedos jazem enferrujados e minha mente (e coração) ainda estão dormentes. Mas nada que o tempo junto a novos sonhos (ou uma nova musa) não corrija...