segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Do Amor e Traição

Ah, mas quão belo é o amor! O sentimento puro que une duas almas numa doce melodia, preenchendo nossas vidas com tamanha satisfação que nos faz esquecer o vazio desta diminuta realidade.

Talvez o alvo maior da poesia, a busca eterna pelo amor perfeito, ideal, irreal... Qual poeta nunca cantou ao amor? Ao amor desejado, ao realizado, ao amor perdido... Poetas são escravos do Amor, esta é a verdade. E uma vez mais nos recai a tarefa de cantá-lo em sua forma mais pura, mais bela, não importando se nos traz prazer ou dor, afinal, "o poeta é um fingidor", e sempre termina por cantar, mesmo a dor da traição, pela perspectiva do apaixonado (com direito a lágrimas, soluços e esperanças), nunca pela do traído.

Quisera eu que essa fosse a verdade do mundo, que o amor pudesse ser puro, belo. Que os amantes se amassem com aquele amor ingênuo que preenche poesias bucólicas e romances baratos, e que se não fosse possível ser imortal, que ao menos fosse infinito enquanto durasse.

Mas não são os poetas que amam, são os homens, e cabe ao homem corromper as utopias bucólicas que ele mesmo cria. E corrompido foi, também, o amor. Desejo, possessividade, inveja, solidão, quantas vezes não são esses sentimentos que mascaram-se de Amor em nossos corações. Tornamo-nos todos obcecados pelo amor, queremos a pessoa amada para nós, fazemos tudo para ela não nos deixar, não queremos perder aquilo que amamos, não queremos nos sentir sozinhos novamente. Eis que o amor vira mentira...

Sei quão difícil é deixar partir uma pessoa amada, mas dói ver como tornou-se aceitável a mentira, e, em sua forma mais sórdida, a traição, entre os amantes. Pessoas traem pois sabem que são traídas, fingem que amam para não se sentir sozinhas, são cegas de ciúme mesmo sendo adúlteras. Queremos esconder do sentimento de solidão desse mundo nos braços de qualquer um, e estamos tão acostumados com a traição que a tememos desesperadamente.

Mas nossos corações continuam vazios... Não vale mais a pena deixar ir os amores que já não vivem do que alimentar um amor falso? Por que não deixamos de invejar aqueles que realmente encontraram o amor e tentamos encontrá-lo nós mesmos?

(.por que não tentamos trazer um pouco mais de poesia para a realidade?.)

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Da Dor e Alegria

Ah, como é inevitavel a reprodução do sofrimento. Tão repudiada, e ao mesmo tempo tão característica da natureza humana, e ainda mais forte nessa magnífica realidade moderna, é a dor o impulso central da humanidade. O que faríamos sem o medo de um dia pior? Sem a triste esperança de que amanhã as coisas não apenas permanecerão ruins, como ainda estarão piores caso não lute incessantementecontra meus irmãos?

Não, não há tempo para grandes amores, para devaneios e esperanças. O tempo voa, e essas lembranças romanticas não têm mais lugar no dia-a-dia. Afinal, o que nos espera ao fim de um sonho senão a crua realidade de mais dor e sofrimento? Apaguemos, pois, os sentimentos inúteis de nossas mentes e condicionemos nossos corações o mais cedo possível para que não se intrometam no nosso sagrado pensamento racional.

Cultivamos aqui o futuro da humanidade, a capitalização completa do ser. Da capitalização da força de trabalho à prostituição dos sentimentos, somos mercadoria no meio que nós mesmos criamos para suprir nossas necessidades, em busca do conforto estamos vendendo nossa própria humanidade.

Então me pergunto se não teria sido melhor lutar um pouco mais pela utopia socialista, se aquele mundo tão mágico onde todos estariam cientes do seu dever social não seria melhor do que a competição desenfreada em que vivemos. Mas é uma grande colmeia a imagem que me sobe à cabeça, o limite do controle dos indivíduos pela racionalidade coletiva. De qualquer forma, nossos sentimentos continuariam presos.

Concordo plenamente com a conclusão obtida pela Sombra, certamente a alegria é a maior expressão da dor, somente a arte consegue opor-se a essa regra. Mas ainda assim essa alegria (aquela dos sonhos tolos, amores inocentes, esperanças sem sentido) merece ser vivida, mesmo sabendo que em algum momento irão embora. Tais sensações nos fazem humanos, mesmo sendo a origem de muitas dores, e suas lembranças constroem nossa identidade. Deixemos aos poetas, músicos, pintores, artistas em geral, a tarefa de trazer a imagem da alegria pura para nossas mentes e alimentar nossos sonhos e esperanças para que tenhamos um pouco mais de alegria, às custas de um pouco mais de sofrimento, e voltemos a viver com os corações. O individualismo vazio é um destino triste demais para ser perseguido, e por muito que doa a morte de um sonho, ainda vale a pena a fato de o ter sonhado...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Do Início...

Acabo de despedir-me de um sonho, mas não restam lágrimas para chorar a perda, e as dores já não incomodam como faziam no passado. São meus olhos que já encontram-se ressecados? As cicatrizes no meu peito tornaram-me insensível?

Este é o início de histórias sem sentido, devaneios perdidos no horizonte de lágrimas que já não correm. Trarei os fragmentos que ainda não me foram corrompidos pelo ceticismo da ciência, o que resta daquela tão saudável loucura do jovem poeta, inocente, ingênuo, que acreditava na força do amor perfeito e no coração dos homens. Trarei os sonhos que ainda me restam (tão poucos, tão fracos), mas não prometo trazer Esperança (estamos brigados ultimamente).

De qualquer maneira, contarei histórias, mentiras com algum fundo de verdade. Se a Inspiração ajudar-me-á não sei, se Paciência acompanhar-me-á não sei, mas posso tentar, fingir ser poeta uma vez mais (ao menos até perder por completo o que resta de minha imaginação).