Às vezes ocorrem eventos tristes, desagradáveis, inoportunos, em nossas vidas e não temos com quem compartilhar. E às vezes tais eventos ocorrem e pelos mais diversos motivos, acabamos nos abrindo justamente para o ator que originou aquela tristeza.
Qual não é a ironia quando aquela mulher que, ignorante do seu sentimento, ignorante da mágoa que lhe causou ao escolher outro, tenta lhe trazer o consolo de uma amiga, de uma boa amiga, mesmo sem entender todo o contexto, afinal, ela não sabe todo o contexto.
Qual não é a vontade de gritar e chamá-la de imbecil por não perceber que ela é a razão do meu estado. Mas sei bem que não é essa a verdade, o tolo sou eu, Pierrot, sempre correndo em silêncio atrás de minha Colombina, ela não sabe, ela não se importa, ela queria um homem, e eu me retirei da disputa antes de ter chance de ganhá-la.
Qual não é a vontade de gritar tentar novamente.
Qual não é a vontade de gritar...
segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
sexta-feira, 15 de dezembro de 2017
Dos ciclos...
Acredito que o tempo, a vida, se compõe de ciclos. Vivemos um espiral de eventos, experiências, emoções que sempre trazem algo de inédito e algo comum a outras situações passadas. Vê, são essas pequenas mudanças nos ciclos de eventos que compõem nossas vidas que nos permite mudar, crescer, desenvolver, evoluir. Nada ocorre exatamente da mesma forma, os eventos nunca são os mesmos, os atores não são os mesmos, nós não somos os mesmos.
Mas também, nem tudo muda. Existe sempre algum elemento fixo, estável. Somos criaturas de hábitos, rotinas, (alguns mais do que outros) e sem esse fator de estabilidade não conseguiríamos traçar os paralelos entre duas situações, não seríamos capazes de identificar semelhanças e tomar decisões considerando aquilo que já aprendemos, seríamos ainda mais inseguros, com medos maiores, tudo seria um risco, uma ameaça.
2017 foi um ano interessante, onde muitos ciclos da minha vida se encerraram finalmente. Depois de tantos anos alcancei a faixa preta no estilo que pratico de kung fu limpando um pouco daquela amargura deixada por não dar continuidade ao judô, e, veja, recebendo uma certificação de excelência, onde aqueles que me avaliaram reconheceram que naquele momento, eu fui o melhor entre os meus pares. Não poderia esperar honraria maior pelo esforço que tive ao longo desses anos.
Ainda mais, semana que vem será minha colação de grau. Após todos esses anos de derrotas, um curso superior incompleto, tristesas, desilusões, e o sentimento constante de ser um completo inútil e incapaz, termino o bacharelado em educação física, curso que talvez tenha me salvado de um ciclo trágico de minha vida quando nenhum dos meus amigos esteve presente por mim.
Duas grandes conquistas que devem definir minha vida no futuro.... E estou apático...
É incrível como em meio a isso o sentimento mais forte que me ocorreu foi o alívio de um trabalho concluído. Vejo no rosto dos outros que passaram por tais eventos uma alegria tão genuína, um sentimento de realização que eu mesmo não consigo emular. Visto meu melhor sorriso, preparo os melhores discursos, e busco atender as espectativas dos outros, pois é mais fácil do que me abrir, me expor, e explicar os motivos de minha apatia.
A vida é composta de ciclos, e esse ano fecho dos grandes ciclos, que ainda assim significam muito para mim. Mas algumas coisas continuam as mesmas, e entra minha introspecção, minha solidão, minha tristeza. Ao fim de todos esses anos, aquele único desejo que trago constante desde que me reconheci como homem, aquele desejo fundamental do ser humano de amar e ser amado, é o único que não se realiza. Encontro em tudo que faço o reconhecimento dos outros, sou um homem de virtudes que para minha surpresa são, com frequência, comentadas por outras pessoas. Fui o melhor em meu exame de kung fu e tenho o reconhecimento daqueles que convivem comigo no local onde treino. Concluo o curso de educação física com excelentes notas, elogios de professores e colegas de profissão, com um trabalho de conclusão, também para minha surpresa, muito elogiado pelo meu orientador e meus avaliadores. Mas ainda assim não consigo reconhecer em mim mesmo tais méritos, me perseguindo sempre a sina de enxergar sempre apenas aquilo que falhei, que poderia melhorar. E em meio a tudo isso, permaneço sozinho.
Concluo a terceira década de minha existência sem ter vivido um relacionamento amoroso real, sem encontrar ao meu lado numa manhã de sexta-feira o rosto de uma mulher que significasse tudo (ou na minha atual situação, que significasse alguma coisa) para mim, e que em seu olhar eu soubesse que, para ela, eu também traria tal significado. Mas hoje eu sei que se há alguém culpado por tanta solidão, sou eu, introspectivo, inseguro, o motivo de minha sina. Sou eu o homem, que em uma sociedade machista, não tem iniciativa, sou eu o idiota que por não acreditar na possibilidade de ser amado abre caminho para que outros lhe derrubem sem sequer saber que o fazem. Pois eu sou o mais feio, o mais chato, o mais bobo, o mais tolo, o mais burro.
Entender isso faz tudo doer ainda mais, mas a dor no meu peito já me acompanha a tanto tempo, e foi crescendo tão sorrateira que ela já faz parte de mim, e eu tenho medo de deixá-la. Eu sei quem eu sou sozinho, e sozinho só tenho a mim mesmo para decepcionar, tenho minhas fantasias para me esconder e meus versos para chorar. E minha mão para me consolar.
A vida é feita de ciclos, de experiências novas e experiência antigas com um toque de novo.
Eu acabo de reviver uma evento solitário, com uma nova experiência que não precisava para esse final de ano.
Ainda sozinho, com os estilhaços de mais um sonho.
Mas também, nem tudo muda. Existe sempre algum elemento fixo, estável. Somos criaturas de hábitos, rotinas, (alguns mais do que outros) e sem esse fator de estabilidade não conseguiríamos traçar os paralelos entre duas situações, não seríamos capazes de identificar semelhanças e tomar decisões considerando aquilo que já aprendemos, seríamos ainda mais inseguros, com medos maiores, tudo seria um risco, uma ameaça.
2017 foi um ano interessante, onde muitos ciclos da minha vida se encerraram finalmente. Depois de tantos anos alcancei a faixa preta no estilo que pratico de kung fu limpando um pouco daquela amargura deixada por não dar continuidade ao judô, e, veja, recebendo uma certificação de excelência, onde aqueles que me avaliaram reconheceram que naquele momento, eu fui o melhor entre os meus pares. Não poderia esperar honraria maior pelo esforço que tive ao longo desses anos.
Ainda mais, semana que vem será minha colação de grau. Após todos esses anos de derrotas, um curso superior incompleto, tristesas, desilusões, e o sentimento constante de ser um completo inútil e incapaz, termino o bacharelado em educação física, curso que talvez tenha me salvado de um ciclo trágico de minha vida quando nenhum dos meus amigos esteve presente por mim.
Duas grandes conquistas que devem definir minha vida no futuro.... E estou apático...
É incrível como em meio a isso o sentimento mais forte que me ocorreu foi o alívio de um trabalho concluído. Vejo no rosto dos outros que passaram por tais eventos uma alegria tão genuína, um sentimento de realização que eu mesmo não consigo emular. Visto meu melhor sorriso, preparo os melhores discursos, e busco atender as espectativas dos outros, pois é mais fácil do que me abrir, me expor, e explicar os motivos de minha apatia.
A vida é composta de ciclos, e esse ano fecho dos grandes ciclos, que ainda assim significam muito para mim. Mas algumas coisas continuam as mesmas, e entra minha introspecção, minha solidão, minha tristeza. Ao fim de todos esses anos, aquele único desejo que trago constante desde que me reconheci como homem, aquele desejo fundamental do ser humano de amar e ser amado, é o único que não se realiza. Encontro em tudo que faço o reconhecimento dos outros, sou um homem de virtudes que para minha surpresa são, com frequência, comentadas por outras pessoas. Fui o melhor em meu exame de kung fu e tenho o reconhecimento daqueles que convivem comigo no local onde treino. Concluo o curso de educação física com excelentes notas, elogios de professores e colegas de profissão, com um trabalho de conclusão, também para minha surpresa, muito elogiado pelo meu orientador e meus avaliadores. Mas ainda assim não consigo reconhecer em mim mesmo tais méritos, me perseguindo sempre a sina de enxergar sempre apenas aquilo que falhei, que poderia melhorar. E em meio a tudo isso, permaneço sozinho.
Concluo a terceira década de minha existência sem ter vivido um relacionamento amoroso real, sem encontrar ao meu lado numa manhã de sexta-feira o rosto de uma mulher que significasse tudo (ou na minha atual situação, que significasse alguma coisa) para mim, e que em seu olhar eu soubesse que, para ela, eu também traria tal significado. Mas hoje eu sei que se há alguém culpado por tanta solidão, sou eu, introspectivo, inseguro, o motivo de minha sina. Sou eu o homem, que em uma sociedade machista, não tem iniciativa, sou eu o idiota que por não acreditar na possibilidade de ser amado abre caminho para que outros lhe derrubem sem sequer saber que o fazem. Pois eu sou o mais feio, o mais chato, o mais bobo, o mais tolo, o mais burro.
Entender isso faz tudo doer ainda mais, mas a dor no meu peito já me acompanha a tanto tempo, e foi crescendo tão sorrateira que ela já faz parte de mim, e eu tenho medo de deixá-la. Eu sei quem eu sou sozinho, e sozinho só tenho a mim mesmo para decepcionar, tenho minhas fantasias para me esconder e meus versos para chorar. E minha mão para me consolar.
A vida é feita de ciclos, de experiências novas e experiência antigas com um toque de novo.
Eu acabo de reviver uma evento solitário, com uma nova experiência que não precisava para esse final de ano.
Ainda sozinho, com os estilhaços de mais um sonho.
Assinar:
Comentários (Atom)