Ah, como é inevitavel a reprodução do sofrimento. Tão repudiada, e ao mesmo tempo tão característica da natureza humana, e ainda mais forte nessa magnífica realidade moderna, é a dor o impulso central da humanidade. O que faríamos sem o medo de um dia pior? Sem a triste esperança de que amanhã as coisas não apenas permanecerão ruins, como ainda estarão piores caso não lute incessantementecontra meus irmãos?
Não, não há tempo para grandes amores, para devaneios e esperanças. O tempo voa, e essas lembranças romanticas não têm mais lugar no dia-a-dia. Afinal, o que nos espera ao fim de um sonho senão a crua realidade de mais dor e sofrimento? Apaguemos, pois, os sentimentos inúteis de nossas mentes e condicionemos nossos corações o mais cedo possível para que não se intrometam no nosso sagrado pensamento racional.
Cultivamos aqui o futuro da humanidade, a capitalização completa do ser. Da capitalização da força de trabalho à prostituição dos sentimentos, somos mercadoria no meio que nós mesmos criamos para suprir nossas necessidades, em busca do conforto estamos vendendo nossa própria humanidade.
Então me pergunto se não teria sido melhor lutar um pouco mais pela utopia socialista, se aquele mundo tão mágico onde todos estariam cientes do seu dever social não seria melhor do que a competição desenfreada em que vivemos. Mas é uma grande colmeia a imagem que me sobe à cabeça, o limite do controle dos indivíduos pela racionalidade coletiva. De qualquer forma, nossos sentimentos continuariam presos.
Concordo plenamente com a conclusão obtida pela Sombra, certamente a alegria é a maior expressão da dor, somente a arte consegue opor-se a essa regra. Mas ainda assim essa alegria (aquela dos sonhos tolos, amores inocentes, esperanças sem sentido) merece ser vivida, mesmo sabendo que em algum momento irão embora. Tais sensações nos fazem humanos, mesmo sendo a origem de muitas dores, e suas lembranças constroem nossa identidade. Deixemos aos poetas, músicos, pintores, artistas em geral, a tarefa de trazer a imagem da alegria pura para nossas mentes e alimentar nossos sonhos e esperanças para que tenhamos um pouco mais de alegria, às custas de um pouco mais de sofrimento, e voltemos a viver com os corações. O individualismo vazio é um destino triste demais para ser perseguido, e por muito que doa a morte de um sonho, ainda vale a pena a fato de o ter sonhado...
4 comentários:
Concordo quando dizes sobre a influência de nossos modelos sobre o que somos e sentimos. Isso amplia ainda mais em meu interior todo o ódio e desprezo que sinto pela minha própria espécie. Prefiro, entretanto, não discorrer no momento sobre o assunto para que possamos fazê-lo tardiamente em conjunto.
Creio que o ser humano se perdeu em si, meu grande amigo poeta, e creio que somos apenas nós mesmos, os artistas, aqueles que podem possuir, talvez, a capacidade de expressar sentimentos alheios como se fossem nossos e expressar os sentimentos nossos na voz alheia. quem sabe?
sentimento por sentimento, meu amigo, seja ele qual for, melhor do que a frieza capitalista competitiva atual...
saudades
Oi Bru.. Como tá?
^^
(senti uma pontinha de ciumes desse comentário) :(
As vezes me parece que não é possível mudar o mundo. Que exista uma corrente em movimento, e que as pessoas se agarram a ela como se fosse, mesmo, o único apoio na vida.
Que assim seja, ou mesmo que não, eu só vou apontar que, pelo menos eu, não consigo muito acreditar em mundo diferente do que ele é - ou mesmo do que sempre foi.
Isso só pra comentar sobre a tal utopia ... sem qualquer teor conclusivo.
Agora, ante ao que você disse, concordo plenamente que mais vale seguir um sonho, do que viver sem, em um individualismo vazio. Há quem não concorde ..
Paixão e dedicação em primeiro lugar em busca de nossos sonhos, mesmo que a moeda a ser trocada nos seja tão custosa, o sofrimento.
Humanos e humanos ... pautar o individual pelo social é algo que é difícil de se entender.
Quem realmente nos dera a chance de mudar o mundo ...
Sendo isso impossível, então nos dera a chance de mudar a nós mesmos.
Esta carícia de fresca brisa
Transporta a beleza de Oriente
Uma voz doce cede ao silêncio
Esta aurora acorda finalmente
A sombra perdeu-se na luz
Escuto o pranto e o riso na bruma
Palavras fugindo ao sentido
Lembranças perdidas na espuma
Boa semana
Mágico beijo
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