E eis que me pergunto se por todo esse tempo eu não vinha interpretando de maneira errada a origem dos meus versos, a motivação por detrás de cada palavra, cada letra... (interpretando de maneira errada minha vida).
Estou relendo aqueles que moveram meus dedos (e meu coração) pelos meus primeiros versos, meus primeiros poemas. Mestres da poesia que viveram cantando amores, tristezas e dores (temas nobres, ao meu ver, da poesia). Mas como podem ser tão sutis suas palavras a ponto de trazer aos poucos lágrimas aos olhos? Como o simples ritmo de um poema pode ditar nosso ritmo cardíaco e mover nossas emoções, intensificando-as como se nossos fossem os sentimentos de seus autores (sentimentos esses que talvez nem tenham existido, talvez não tenham sido tão fortes, tão intensos).
Pois apaixonado pelo decadentismo esqueci o que realmente me importava, aquilo que sempre fora o motor dos meus versos, da minha vida, o Amor. A unica palavra que nunca me abandonou, o único sentimento que nunca me deixou, a unica coisa que nunca deixei de buscar. Mas deixei-me iludir por aquilo que parece mais forte, o que choca mais, e aos poucos subjuguei o Amor à Dor e à Tristeza fazendo delas o motivo e objetivo da minha poesia. E foi assim que aos poucos percebi estar brigado com o Amor como se dele fosse a culpa da minha falta de eloquência.
Tolo! Quão tolo fui por perceber somente agora que o que trazia luz aos meus versos não era a sombra que me encobria (e quão estranha não ficou esta frase sendo escrita por uma sombra) . Fora um amante, e como amante fazia da poesia minha voz, então, sendo assim, como poderia continuar escrevendo uma vez que comecei a temer o Amor? Uma vez que me proibi de amar exceto em situações racionalmente viáveis? Deus! (e eis uma exclamação rara vinda de mim) Onde já se viu um amor "racional"? No fim trazia comigo apenas o medo eterno de amar e não ser amado, ou talvez o medo ainda maior de enfim ser amado e perder com isso o que restava do poeta que me forcei a ser.
Amor, enfim acho que essa é a resposta. A gentil e cruel sutileza nos versos mais belos, felizes ou tristes. Todo o resto é consequência. E talvez tenha sido preciso amar novamente, de forma nada racional, e perder este amor, para dar-me conta disso.
Pois bem, não terei mais medo do Amor, encararei novamente, com a face erguida e com minha pena em punho, suas flechas (escutou baixinho? Desafio-te a usar-me como alvo para tuas flechas! Vem! Tens medo agora?) e carregarei-as em meu peito. As que caírem, coitadas, seja por errar meu coração ou simplesmente por não terem chance de florescer, ou ainda por tristemente ter de murchar, eu pegarei e usarei o resto do meu sangue embebido por seu doce veneno (único em cada pequena flecha) para escrever um poema pelo amor que teve de partir e apimentar os poemas daqueles que haverão de vir.
Um comentário:
você me choca.
sem mais palavras - todo o resto se explica.
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