Inaugurando uma nova proposta de publicar contos nesse blog com uma sugestão do meu amigo Bouças (que pode ser lida no primeiro comentário). Talvez a história tenha ficado um pouco mais forte do que eu esperava e fugiu um pouco da proposta inicial, podendo não agradar a todos os públicos ou mesmo a pessoa que sugeriu. Ainda assim, venho oficialmente convidar os possíveis interessados a enviar breves sugestões de contos, de temática livre, para meu email bl.guimaraes@gmail.com com o assunto "Sugestão para um conto" e tentarei criar alguma coisa próxima ou não da idéia sugerida.
Hmm! Como eu gostaria de ficar assim para sempre. Acariciando seus cabelos, tocando seus lábios, sentindo seu corpo.
O quê? Eu sei que também gostaria disso. Não é verdade? Não há nada melhor que um doce momento de carinho e ternura para ajudar a acalmar os ânimos, principalmente depois de algo tão intenso.
E, Deus, você foi ótima! Admito que não foi a primeira, mas de todas foi, decerto, a melhor, mais intensa e mais gostosa de todas. Vê? Eu não dou a mínima para o que nos fazem acreditar as convenções e padrões estéticos desta nossa sociedade narcisista. Que sumam todas essas crianças imaturas que morreriam para permanecer eternamente jovens! - Oh! Desculpe-me. Não foi minha intenção a possível ironia contida nesta frase. - Mas entenda que prefiro muito mais ver em uma mulher as inevitáveis marcas que a vida lhe confere do que uma pele lisa e sem vida, como uma boneca inflável.
Isso para não entrarmos nos méritos da experiência, que inegavelmente é adquirida com o tempo e, definitivamente, é diferente da vulgaridade encontrada nas jovens ditas “experientes”. O mais simples olhar entrega essa diferença, a maneira como apenas encarando-me no fundo dos meus olhos fica claro que entendem tudo o que está acontecendo e agem da maneira certa, sem esforços inúteis, sem excessos, e sem reclamar muito quando me precipito um pouco. Porque às vezes é difícil me controlar. Você sabe bem, não é?
Hehehe... Desculpe...
Hum. Você está linda, com uma face assim tão tranqüila.
Mas o que eu queria mesmo é não precisar esconder minhas preferências, mas a sociedade não me aceitaria, me condenariam antes mesmo de tentar entender. Chamariam-me de pervertido e outras coisas piores, não só por gostar de meninas mais velhas (e eu quase posso ver um sorriso no seu rosto quando digo isso), mas pelas outras coisas que fizemos. O que me preocupa mais não é nem tanto os olhares tortos das pessoas, mas as conseqüências legais que tudo implicaria.
Na minha cidade natal um tal André Luiz Cassimiro foi condenado em 1996. Eu não estou me comparando com ele, longe disso. O cara é o que chamam de Serial Killer. Mas até entendo as preferências dele. Dizem que ele observava suas meninas fingindo ser um lavador de carros por dias antes de entrar em suas casas e depois, esse animal (pois me recuso a chamar alguém assim de homem), amarrava, amordaçava, estrangulava e estuprava as vítimas e então as cobria para não ter que vê-las enquanto roubava suas casas. Um assassino e, ainda por cima, um maldito ladrão é o que ele era!
Ao que parece ele matou cinco dessa forma. Consegue imaginar pelo que passaram as cinco coitadas que se encontraram com esse monstro, todas na flor da idade, como você meu amor?
Eu não consigo. E desprezo tal sujeito por tratar de tal forma criaturas tão belas como vocês. Porque... Tem de ser tudo uma questão de amor e não apenas esse sentimento frugal de desejo. Eu amei cada mulher com quem tive esse tipo de relação, e acho que amei você mais do que as outras, e é certo como nunca esquecerei cada uma de vocês, mesmo não as vendo novamente.
Afinal, como se esquecer de tão exímias dançarinas que, admito, foi em cada uma a primeira qualidade que atraiu minha atenção. Ora, é fascinante encontrar senhoras que já trilharam caminhos tão longos e que ainda demonstram tamanha aptidão e habilidade, e, na maioria das vezes, uma alegria muito maior que os mais jovens em suas “baladas”. Acho irresistível a tentação de pedir-lhes a “próxima dança”. E, mesmo não sendo eu mesmo um notável dançarino, a maioria aceita meu convite com largos sorrisos em seus rostos e, em alguns casos, boas conversas florescem dessa simples dança.
Ah! Mas Quão bela não é a jovialidade que trazem, tão naturalmente, após tantos anos. Pense bem, pois, se você também não gostaria (se nossos papéis estivessem invertidos) de tomar um pouco desse sentimento para si? E como me deixam feliz ao corresponderem meus sentimentos!
Apesar de não agirem todas dessa maneira, você mesma foi um bom exemplo não é mesmo? Fazendo-se de difícil, negando-me uma simples dança. Mas não pude deixar de perceber a maneira como me fitava constantemente através do salão. E eu entendo o que sentia, pois, como eu disse, é difícil enfrentar o medo de saber como os outros lidarão com a diferença de idades. E foi por entender bem como se sentia que lhe acompanhei até em casa, pensando em como poderia lhe abordar depois que chegássemos. Parecia-me claro que deveria esperar até estarmos sozinhos para tal, já que certamente me rejeitaria novamente, por vergonha, caso outros se encontrassem presentes.
Foi então que pensei em por que não lhe fazer uma pequena surpresa? E esperei por algum tempo, fora de sua casa antes de adentrar de mansinho onde você já repousava como um anjo. Assentei na poltrona ali, perto da porta, onde fiquei observando, apreciando, a tranqüilidade com que dormia, com uma respiração tão suave que mal podia ser notada (quase como está agora), em sua camisola de aparência confortável e ainda notavelmente sensual.
Mas você não estava dormindo não é mesmo? Envergonho-me ao perceber quão tolo fui ao ficar lhe observando por tanto tempo enquanto você fingia dormir. Era óbvio que estava esperando alguma atitude minha, e eu agindo como uma criança que mal saíra das fraldas.
Pensando bem, creio que devo pedir desculpas pela maneira como agi. Ao notar minha estupidez meu ímpeto controlou minhas ações e fui um pouco violento no início ao lhe amordaçar, mas teus gritos, ao fingir espanto enquanto mantinha a atuação de estar dormindo, acabaram me assustando um pouco, o que não precisava ter sido feito, uma vez que eu já havia percebido que estava me esperando. Mas isso foi até bom para criar um leve ar de mistério e suspense, não acha? E eu sei que com o tempo você acabou por se acostumar e até gostar (suas unhas não lhe deixaram mentir).
Entende agora quando falo de amor? Nós nos amamos a cada momento, desde meu pedido por uma dança no baile e a maneira como pude entender cada pensamento, cada sentimento que passou por você é a maior prova disso, ou como seus olhos não se afastaram dos meus por um instante, mesmo enquanto eu segurava carinhosamente seu pescoço e lágrimas de alegria corriam por seu rosto.
E isso é completamente diferente do que esses animais assassinos fazem! Vê? Eu não cobri seu corpo com um lençol por não suportar olhar para você depois que adormeceu! Para que faria isso se continua tão linda quanto antes? Para que me envergonharia de olhar para seu corpo apenas porque não está mais tão vivo quanto antes? Céus! Tais coisas acontecem, são inevitáveis, principalmente com o avançar da idade. E se foi bom para nós dois não devemos nos envergonhar ou se arrepender do que aconteceu.
Afinal, não é tão melhor continuar assim, juntinhos?
Mas, infelizmente, não podemos ficar assim para sempre e eu acho melhor seguir meu caminho antes do dia clarear. Apesar de não me envergonhar do que fizemos, sei que não gostaria que os vizinhos vissem um rapaz mais novo saindo tão cedo de sua casa e eu ainda tenho que me preocupar com o que poderia acontecer com meu emprego se nos descobrissem.
Só é uma pena não podermos nos ver novamente, eu adoraria ter um relacionamento mais sério com uma mulher maravilhosa como você.
...
Bem, eu prometo que tentarei despedir-me pela última vez quando as coisas se acalmarem.
Beijos, meu amor, e adeus.
Um comentário:
Sugestão enviada por Rafael Bouças em 31/01/2011:
"Guimas, é o seguinte:
em 1995, Juiz de Fora teve seu próprio SERIAL KILLER, um estrangulador. (INFO: http://banalizando.blogspot.com/2008/12/andr-luiz-cassimiro-o-estrangulador-de.html )
O lance é o seguinte: você é o cara. Me dê um relato pessoal. Pode ser uma descrição dos assassinatos (ou de um especificamente), ou do que levou aos crimes, não interessa. Eu quero interpretação, FEELING. Mas não precisa entrar demais no personagem, seja uma pessoa normal rs.
Qualquer dúvida, estou disponível nos canais de costume!
Abrá!"
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